Foda-se

Foda-se

Foda-se. Foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando resolvi que era hora de voltar a escrever. Foda-se. Assim na primeira palavra já afugentava todos os pudicos que me perseguem dentro e fora de mim. Foda-se. Afinal, esse é um momento onde eu devo explicações pra mim, para a interface entre minha cabeça e meus dedos, para a minha imagética e a minha fonética má distribuídas. Mas foda-se, mesmo assim, pois em minha frente Fernando Pessoa não me deixa esquecer: “Quem não sente a ânsia de ser mais, não chegará a ser nada”.
Foda-se, Pessoa. Ser mais ou ser nada não faz de ninguém alguém. Porque no final a nossa carne vai virar pó, e quem virá não vai saber se fomos mais ou nada. Então, oras: foda-se.