Leite com café

Leite com café

Acordei cantando o adeus. Uma noite e a chuva da manhã me arrastava leito a fora. Eram umas 9 quando eu olhei no relógio e percebi que não teria sol para me tirar da cama, e me atirei de seu quarto em busca de minhas roupas, meu celular, minha mochila. Era estranho procurar as suas coisas em um lugar onde você não costuma deixa-las. A cama estava no lado errado. Você se deitava no lado errado. Suas pílulas não estavam na gaveta do criado mudo – o qual, aliás, nem estava ali. E havia um tapete entre a cama e o armário para afugentar o frio do pé. Algo que sempre achei desnecessário.
Mas passavam das nove da manhã e eu precisava sair. Manso, silencioso, de fininho. Meio que como os soldados franceses durante a guerra dos sete anos. Pela porta de serviços, onde o barulho se faria menor no interior do apartamento. Chamei o elevador e me joguei do sétimo para o térreo na velocidade daquele motor elétrico. Rápido como sempre, mas devagar demais para os meus pensamentos.
Perto das 9:30 parei na padaria e mandei uma SMS lhe desejando bom dia, e enviando um último beijo, enquanto eu esperava meu leite com café e um queijo quente. Sempre que parei ali sorri para a atendente e afirmativamente pedia: “um queijo quente e um leite com café. Mais leite que café”. Nesse dia ela não me deixou terminar a frase e complementou por conta assim que pedi a xícara de leite com café, com um sorriso no rosto enquanto desenhava um coração por cima do leite batido. Sorri embaraçado de volta enquanto meu bolso tremulava com um “Cadê você? De novo?”.
Liguei o carro e saí cantarolando Sean Lennon. Eu prometo parar de te amar. Amanhã.

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