Bom dia

Bom dia

Acordei cedo hoje, e isso não é comum. Queria descansar do trabalha exaustivo dos últimos dias, mas não tem jeito: o sono se foi e eu levantei pra ver se corria um pouco atrás dele. Mas até pra isso estou com preguiça hoje.
Então fui até a cozinha para tomar um café que restava na garrafa de ontem a noite, e passando pela sala olhei para as janelas do prédio da frente. Uma jovem que aparentemente não chegou aos 30, falava ao telefone enquanto arrumava sua blusa tão vermelha quanto seu rosto, vermelho de frio ou exagerado de blush.
E nesses olhares pela vizinhança eu me fixava nas janelas dos prédios vizinhos. Eu, que ainda estava sonolento ao passar e rir da vizinha em vermelho, observava os outros apartamentos e via suas cortinas opacas por causa do suor que impregnava as janelas, aqueles vidros embaçados que o calor matinal traz ou de quem faz sexo logo cedo nesses quartos frios, porta e janela fechadas, aquecedor ligado no começo, aquecimento corporal no final.
Peguei minha caneca, chá, e fiquei pensando se as pessoas ainda faziam sexo pela manhã. Dar bom dia eu já sei que elas já não fazem.